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Andragogia: O que é, objetivos e aplicações

Andragogia: O que é, objetivos e aplicações

Você já parou para pensar o quanto seus pensamentos, prioridades e objetivos, mudaram ao longo do tempo?

Os seres humanos são mutáveis e adaptáveis, por isso, muitas vezes algo que tínhamos como máxima há anos, pode não ter mais o mesmo valor com o passar do tempo. Por isso, às vezes renovamos o nosso círculo de amigos, revemos nossos conceitos e percepções. 

Muitas vezes, alguns premissas mudam, pois a forma com que assimilamos o nosso redor também altera, e com o conhecimento não é diferente. O modo com que absorvemos informações quando éramos crianças, não necessariamente irá passar pelo mesmo processo na idade adulta, por esse motivo é preciso trabalhar metodologias de aprendizado que se adequem ao contexto do indivíduo e a sua idade. Nesse contexto, surge a andragogia, um conceito cunhado em  1833, que se faz presente e necessário até os dias atuais. 

Neste texto, vamos falar sobre o que é andragogia, seus princípios e suas aplicações. Boa leitura! 

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O que é andragogia?

Andragogia é a ciência de orientar adultos no processo de aprendizagem. O termo é proveniente do grego: andros= adulto + agogus = guiar, conduzir, educar. A teoria foi popularizada nos anos 70 por Malcolm Knowles, educador americano.

Apesar de Knowles ser considerado um grande nome andragogia, o termo foi cunhado inicialmente por Alexander Kapp, professor alemão, em seu livro, em 1833. Na época, a educação era focada na formação de crianças e adolescentes, com isso, Kapp traz importantes concepções de que o aprendizado não deveria ocorrer apenas nessa fase, mas que deveria continuar ao longo da vida, incluindo também a educação empresarial, dessa forma, pensar métodos de aprendizagem para adultos era essencial. 

Por mais que a andragogia tenha sido abordada pela primeira vez em 1833, a ciência ficou “esquecida” durante muitos anos,  somente em 1921 que Eugen Rosenstock-Huessy — historiador alemão, voltou a falar sobre o assunto, defendendo que a educação para adultos deveria ter filosofias e métodos diferenciados. 

Mas foi em 1973, que Malcolm Knowles ganhou destaque ao elaborar uma teoria mais sólida sobre o assunto ao publicar o livro “The adult learner: a neglected species” (O aprendiz adulto: uma espécie negligenciada). Knowles explica que o processo de aprendizado com os adultos deve levar em consideração suas experiências. Para ele, os princípios pedagógicos usados no ensino de crianças e adolescentes negligenciavam as reais necessidades e potencialidades da educação para adultos. 

A proposta da andragogia é uma processo de aprendizagem mais prático, focado nas vivências e experiências do aluno, com tarefas que remetem ao cotidiano e que o ajudem a resolver questões do dia a dia. Um dos objetivos dessa ciência é que o aluno se torne o agente principal do processo de aprendizagem e desenvolva autonomia.

Desenvolvendo a andragogia: suposições sobre aprendizes adultos

Eduard Lindeman foi outro nome importante para o desenvolvimento da andragogia. Por meio do livro: “The Meaning of Adult Education”, o educador americano fez valiosas investigações acerca do processo de aprendizagem dos adultos. A partir disso, ele fez algumas suposições sobres esse aprendizes:

Necessidades e interesses

“Os adultos são motivados a aprender conforme vivenciam necessidades e interesses que a aprendizagem satisfará.” Isso significa que os adultos precisam entender de forma pragmática a necessidade de aprender algo e também precisam de ver os resultados desse aprendizado.

Orientação no cotidiano

“A orientação dos adultos para a aprendizagem é centrada na vida.” Com essa hipótese, uma boa alternativa para estimular o aprendizado dos alunos adultos é utilizar de exemplos do dia a dia em seus mais diversos contextos, seja por meio de videoaulas, cursos presenciais ou outras possibilidades de transmissão de conhecimento. 

Foco na experiência

“A experiência é a fonte mais rica para a aprendizagem dos adultos.” Isso significa que se você é um tutor ou professor de adultos é preciso transmitir o conhecimento de forma mais prática, de modo que os alunos tenham experiências e possam agrega-las junto das suas experiências de vida.

Autodireção

“Os adultos têm uma profunda necessidade de se autodirigir.” Neste caso, podemos perceber que no ensino para adultos, o papel do professor é muito mais de um facilitador, do que uma “autoridade”, esses aprendizes precisam de autonomia.

Cada indivíduo é único

“As diferenças individuais entre as pessoas aumentam com a idade.”  Para dar aulas ou ministrar um curso para adultos, é preciso levar em consideração o quanto essa turma pode ser diversa e saber como lidar com essas diversidades.

Com essas hipóteses, podemos perceber que o processo de absorção do conhecimento funciona de forma diferente para o adulto. Além disso, as motivações e aspirações para estudar da idade adulta são diferentes, por esse motivo é importante estruturar métodos que se adaptem ao contexto dos adultos, é a isso que dedica-se a andragogia. 

Princípios da andragogia

A andragogia se baseia em 6 princípios chave que irão nortear os processos e projetos, para que a aprendizagem ocorra de forma efetiva. São eles:

A necessidade do aprendiz de saber

Diferente do que acontece com as crianças e os adolescentes, os adultos precisam de uma motivação mais prática para aprender, eles precisam entender de que forma aquele conhecimento irá colaborar em sua vida pessoal ou carreira. O por que aprender é uma importante questão a ser respondida para os alunos adultos, sabendo da aplicação prática, eles se sentem mais motivados a seguir o processo.

Autoconceito do aprendiz

Na andragogia, o autoconceito do aprendiz diz respeito à autonomia do aluno. Por já serem sujeitos autônomos e responsáveis pela gestão de suas vidas, os adultos necessitam de um pouco mais de autonomia durante o processo de aprendizado. 

Esse tema que vem sendo muito discutido no que diz respeito aos métodos de ensino, tanto para crianças quanto para adultos. Desenvolver a autonomia ajuda na formação de indivíduos mais seguros, livres e protagonistas de seu futuro. As metodologias de ativas de aprendizagem são exemplos que podem resultar em alunos mais autônomos, leia mais sobre o assunto no e-book que preparamos clicando aqui ou no banner abaixo.

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Se você quiser aprofundar no assunto de metodologias que estimulam a autonomia do aluno, confira os artigos abaixo:

A experiência anterior do aprendiz

A andragogia acredita que parte importante do processo de levar conhecimento aos alunos é considerar as suas experiências, afinal, ensinar para adultos significa também interagir com pessoas com uma bagagem e uma história, e as experiências serão a base para o aprendizado.

A prontidão para aprender

Um dos fatores que fazem com que os adultos estejam mais dispostos e terem prontidão para  o aprendizado, seja por meio de cursos online ou treinamentos  é relacionar o conteúdo com assuntos cotidianos. Além de fazer com que os alunos fiquem mais motivados a aprender, fazer associações com o dia a dia ajuda a fixar melhor o conteúdo.

Orientação para a aprendizagem

Uma das máximas da andragogia é entender o contexto dos adultos para que aplicar as melhores metodologias, por isso é importante que os conteúdos sejam transmitidos fazendo um contexto com o cotidiano e deixando claro a sua aplicação e resultados.

Motivação

O último princípio da andragogia é a motivação, ela é fundamental para que o adulto siga no processo, ela pode acontecer de várias formas, se for no contexto corporativo, por exemplo, pode-se motivar os colaboradores com promoções, premiações, dentre outros.  

Tendo em vista esses princípios, fica mais fácil corresponder aos anseios e particularidades do aprendiz adulto. Mas, por que o modelo tradicional de ensino não é o mais indicado para adultos? Confira no tópico a seguir.

Modelos tradicionais e a andragogia

O modelo tradicional de ensino vem sendo questionado até mesmo para as crianças e adolescentes, por ser um modelo que não estimula a participação ativa dos alunos. Quando trazemos este assunto para a educação de jovens e adultos, isso torna-se ainda mais importante, sem contar outros aspectos, conforme listamos a seguir:

Comunicação

No modelo de ensino tradicional, a comunicação entre alunos e professores acontece de forma mais horizontal, e como vimos, essa forma não cabe para adultos, que precisam desenvolver-se com mais autonomia e se autodirigir. 

Elaboração do plano de estudos

Ao contrário do que ocorre em métodos tradicionais, no ensino para adultos, a andragogia propõe que a elaboração do plano de estudos seja feita com a participação dos alunos, levando em consideração seus pontos de vista.

Avaliações

Tradicionalmente, as avaliações são feitas por meio de provas e são definidas pelo professor e pela instituição de ensino. Na educação para adultos, é aconselhável que a construção dos aspectos avaliativos seja feita de forma coletiva. Além disso, o aprendiz deve realizar uma autoavaliação e também avaliar o professor.

Metodologias

Na andragogia são propostos métodos de aprendizado em que o aluno participe ativamente das aulas. As metodologias que levam em conta experiências práticas podem funcionar muito bem com adultos. 

O gamification é um exemplo de metodologia ativa de aprendizagem que pode ser funcional. Clique aqui  ou no banner abaixo para baixar o nosso infográfico interativo sobre assunto.

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Aplicações da andragogia

A andragogia pode ser aplicada em diversos contextos, seja no ensino básico, no ensino superior, cursos livres, treinamentos corporativos, no ensino ead, dentre outros. Para exemplificar, falaremos a seguir de como a andragogia pode contribuir na educação corporativa e na educação online.

Educação corporativa

Educação corporativa é prática adotada por empresas diversas com o objetivo de promover e disseminar o conhecimento dentro de uma organização, seja pública ou privada. Muitas empresas criam universidades corporativas com a disponibilização de diversos cursos online por meio de uma plataforma. As empresas podem desenvolver também treinamentos esporádicos. Aplicada ao contexto de uma pedagogia empresarial, a andragogia pode:

  • Ajudar os colaboradores a aprenderem de forma prática com as experiências que ocorrem na empresa.
  • Desenvolver a autonomia dos colaboradores por meio do conhecimento.
  • Aumentar as possibilidades de troca de informação entre os colaboradores.
  • Melhorar a absorção de aprendizado através de metodologias mais inovadoras.

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Ensino EAD

O ensino EAD no Brasil tem ganhado cada vez mais força, ele é definido pela educação mediada por meio de tecnologias e plataformas, em que aluno e professor não estão geograficamente no mesmo lugar e, às vezes podem também estar separados temporalmente.

Mas, como a andragogia pode contribuir para o ensino a distância?

Um dos pontos discutidos no ead está relacionado ao nível participação e engajamento dos alunos, principalmente se o curso não possui videoaulas com transmissões ao vivo. Neste contexto, o ensino andragógico pode contribuir promovendo um processo de aprendizado em que o aluno tenha uma participação mais ativa, colaborando com produção da aula, tendo conteúdos mais focados em experiências e com contextualizações do cotidiano. 

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Conclusão

Qualquer modalidade de ensino deve levar em consideração o seu público, só assim é possível prever as suas demandas e anseios, e tentar desenvolver métodos para que a aprendizagem aconteça de forma efetiva.

A andragogia, apesar de ter sido um conceito abordado pela primeira vez  no século XVIII, só foi teorizada nos anos 70, contudo, podemos perceber que ainda cabem diversas discussões sobre assunto. Portanto, é um tema que deve ser trazido para o enfoque dos debates pedagógicos, a fim de desenvolver novos métodos e aprimorar os atuais, visando trazer mais benefícios e efetividade para o processo de aprendizado dos adultos.

Quer ler mais sobre assuntos relacionados à educação? Confira o nosso novo artigo no blog: “Escola do futuro: O que esperar e qual é o papel do EAD nessa evolução?”

Por: Camila Reis

Formada em Comunicação Social pela Puc Minas e pós graduada em Processos Criativos pela mesma instituição, atua com comunicação desde 2013. Hoje, faz parte do time de marketing da Sambatech.

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