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Lições que o Oscar nos ensinou sobre o mercado de streaming.

A Netflix e outras gigantes do streaming já revolucionaram a televisão, e aparentemente chegou a hora dos filmes. Na noite da 91ª premiação do Oscar, a plataforma de streaming saiu com seus prestígios mais altos da história e levou um total de 4 estatuetas. O premiadíssimo Roma foi vencedor em três categorias importantes: melhor filme estrangeiro, melhor fotografia e melhor diretor (Alfonso Cuarón). Além disso, ‘Absorvendo o Tabu’, também original Netflix, ganhou o prêmio de melhor documentário curta metragem.

De novo a Netflix chegou perto, mas ainda é um feito inédito alguma plataforma de streaming levar uma estatueta de melhor filme. Será que isso vai acontecer em 2020?

Netflix e a sétima arte

A Netflix não chegou no mercado do cinema para brincar e já deixou claro que vai seguir competindo pela estatueta de melhor filme. Um exemplo é o próprio Roma, que tendo um custo de produção de apenas U$15 milhões, investiu praticamente o dobro em divulgação e promoção do filme (U$25 milhões).

Todo o investimento rendeu 10 indicações ao Oscar, considerada hoje a maior premiação do cinema mundial, empatando com “A Favorita” para o maior número de nomeações em 2019. E juntamente com prestigiosos prêmios da Academia, Roma recebeu, ao total, 201 nomeações, sendo campeão em mais da metade deles (total de 117 prêmios até então).

Além de Roma, o documentário curta metragem “Absorvendo o Tabu” (em inglês, ‘Period. End of Sentence’) também levou prêmio de melhor filme da categoria, levando o total de prêmios da Netflix para 4.

O que isso significa para o tão tradicional mercado de Hollywood?

A Netflix, hoje, é uma das maiores plataformas de streaming do mundo, mas você sabe como ela surgiu?

Em 1997 surgia como uma empresa de aluguel de filmes pelo correio, de uma forma semelhante às então consolidadas locadoras. Dez anos depois a empresa expandiu para o mercado do streaming online e apenas 3 anos depois alcançou assinantes internacionais, disponibilizando a plataforma no Canadá.

DVD do filme “Coach Carter”, locado via Correio na Netflix.

Em 2012 a Netflix lançou seu primeiro conteúdo original, produzido e distribuído pela própria plataforma: a série Lilyhammer, da Noruega. Desde então, a plataforma já lançou uma enorme coleção de filmes e séries em vários dos mais de 190 países que atua, inclusive no Brasil.

Hollywood e o mercado do cinema sempre foram extremamente tradicionais. Por décadas e décadas o formato do lançamento de produções foi: Os filmes eram lançadas no cinema, chegavam até as locadoras e, um longo tempo depois, (talvez) chegavam na casa do usuário por meio da televisão. Mas hoje esse modelo está sendo invertido. Um filme inédito é lançado diretamente na plataforma, diminuindo a distância entre o conteúdo e o usuário.

Fora a liberdade para assistir e reassistir todo o catálogo de filmes e séries quando quiser, o fato de que as séries inéditas chegam diretamente na casa do usuário é um atrativo enorme, pois deixa o assinante em controle da programação. Esse não é o caso do cinema e da televisão, e é por isso que as tvs por assinatura veem cada vez os números caírem.

O movimento dos usuários procurarem mais liberdade, autonomia e controle da programação fica cada vez mais claro. Plataformas de streaming de filmes, séries e até mesmo esportes crescem de forma exponencial mundialmente. E, claro, a qualidade das produções ajuda – e muito! – o crescimento das plataformas.

E vale lembrar, claro, que mesmo não levando o Oscar de melhor filme, Roma foi premiado na mesma categoria no Globo de Ouro. Definitivamente, sucesso absoluto de recepção.

Outras premiações

Ainda que o mercado do cinema seja um território em que a Netflix está apenas começando a se aventurar de uma forma mais agressiva, a plataforma já é produtora e distribuidora consolidada de séries originais.

Entre prêmios de melhores atores e atrizes, roteiros, séries e outros, a Netflix já coleciona um impressionante número de 225 indicações e 63 vitórias no Primetime Emmy, a maior premiação para séries. Séries originais como Orange is The New Black, Stranger Things e Master of None são sucessos mundiais e, claro, já levaram bastantes estatuetas para a plataforma.

No ano passado, a Netflix alcançou o incrível feito de ultrapassar a tradicional HBO na quantidade de premiações do Emmy. Netflix levou 7 prêmios enquanto a HBO ficou com “apenas” 6.

O que isso mostra? Com certeza os serviços de streaming já incomodam há tempos as tradicionais emissoras de tv e estão abrindo o caminho para fazerem o mesmo com as grandes produtoras e estúdios Hollywoodianos. O incômodo já aparenta ser tanto que associações de donos de cinemas já estudam incluir regras que cimentem a obrigação de conteúdo original ser lançado primeiro nos cinemas, autorizando o lançamento em outras plataformas após, no mínimo, 90 dias.

E o que isso significa para as outras plataformas de streaming?

Apesar de uma das mais populares, a Netflix não é a única plataforma que aposta em conteúdo original. A Hulu, por exemplo (ainda não disponível no Brasil), é a produtora da bem sucedida Handmaid’s Tale, que já está confirmada para a terceira temporada.

Cada vez mais o mercado está entendendo que o movimento para as plataformas de streaming é inevitável e a adaptação é fundamental. A maior prova disso é um dos estúdios Hollywoodianos mais tradicionais da história, a Disney, terem já anunciado a criação da sua própria plataforma para brigar diretamente com o modelo de negócio da Netflix, Hulu e Amazon Prime.

De certa forma, uma constatação é importante: Nessa briga entre gigantes do streaming, quem sairá ganhando é o usuário.

Por: Débora Gomes

Produtora de conteúdo no Blog da Samba, trabalha com marketing digital com foco em atração por meio de estratégias de conteúdo e SEO.

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