Como a tecnologia e os vídeos afetaram a Copa do Mundo 2018?

Estamos nos aproximando do final de mais uma Copa do Mundo. Como foi sua experiência como fã?

Já parou para pensar em como era o mundo 4 anos atrás? As mudanças trazidas pela tecnologia são rápidas, expressivas e impactam diretamente o dia a dia da sociedade. Com o mundo cada vez mais digital, a expansão do acesso a internet e novas ideias que surgem praticamente todos os dias, a distância virtual se encurta e as barreiras vão se quebrando.

Pense só em como foi o uso de tecnologia na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e como está sendo agora, em 2018. E não só dentro de campo com o tão falado – e polêmico! – VAR (video assistant referee), mas essas mudanças afetam diretamente como as pessoas estão assistindo aos jogos e, além disso, interagindo com outros torcedores ao redor do mundo.

Já está claro que a tecnologia – especialmente os vídeos – e os esportes estão, cada vez mais, caminhando juntos. Veja só algumas formas:

VAR (Árbitro de vídeo)

Essa é uma das mudanças talvez mais expressivas que a tecnologia trouxe para a Copa do Mundo de 2018, já que afeta diretamente o jogo dentro de campo. O tão falado VAR, sigla em inglês para video assistant referee significa, em português, árbitro assistente de vídeo, ou apenas árbitro de vídeo.

A utilização do VAR, aprovada em 2016, já foi implementada nas principais ligas europeias, como a Bundesliga (liga alemã), a Serie A (Itália) e a Primeira Liga (Portugal). Em 2018 marca-se a primeira vez que uma Copa do Mundo utiliza dessa tecnologia.

Como funciona?

Em uma sala especial, há um conjunto de telas que transmitem imagens de diversas câmeras espalhadas pelo campo. Nessa sala, assistentes acompanham o jogo de vários ângulos distintos, aguardando o momento em que lances precisem ser revistos por eles.

Conectados por microfones e fones de ouvido, os árbitros assistentes podem ser acionados pelo árbitro de campo ou vice e versa, mas isso só pode acontecer em 4 momentos específicos do jogo:

Gol

O árbitro de vídeo pode ser acionado para validar ou invalidar um gol, caso haja dúvidas de questões como impedimento ou outras infrações, por exemplo.

Cartões Vermelhos

Quando o árbitro de campo expulsar um jogador, a jogada pode ser revista para verificar se, de fato, há motivo para expulsão.

Erro de identificação de jogadores

Com a rapidez no fluxo de jogo, o árbitro de campo precisa tomar decisões rápidas e com a visibilidade comprometida. Isso pode acarretar em erros de identificação de jogadores, por exemplo, um atleta toma cartão por engano quando a falta foi cometida por outro. Nesse caso, os árbitros auxiliares, por meio dos vídeos, alertam sobre a confusão e ajudam a identificar os atletas corretamente.

Pênaltis

A penalidade máxima é um dos pontos de maior polêmica no futebol. Pênaltis não marcados ou marcados quando não houve falta são muito comuns no esporte. Com o auxílio do VAR, é possível que o árbitro reveja se houve ou não falta na jogada e se é acertada a marcação do pênalti. Nesses casos, ainda é possível analisar se, na simulação, o jogador que tentou cavar a falta deve ser punido.

Diversos esportes já utilizam da tecnologia de vídeos para dentro de campo. Um dos casos mais famosos é o da NFL, liga estadunidense de futebol americano. Nesse esporte, toda jogada de pontuação é obrigatoriamente revisada por meio de vídeos, visando eliminar ao máximo injustiças que podem afetar o resultado dos jogos.

No Brasil, um caso clássico é o das ligas de voleibol. Assim como na NFL, os técnicos podem solicitar que uma jogada específica seja revisada por árbitros auxiliares e vídeos, para tentar reverter alguma decisão ou pontuação inadequada.

Por mais que torcedores ‘clássicos’ acreditem que a utilização da tecnologia dos vídeos seja maléfica ao esporte, essas mudanças caminham para que decisões difíceis sejam tomadas com clareza de fatos e, cada vez mais, justiça nos resultados.

Copa do Mundo só na televisão?

A Netflix impactou o mercado cinematográfico e das séries de tv e o Spotify afetou o mercado musical de uma forma bastante clara. Essa mudança para serviços de streaming mostram que as pessoas querem, cada vez mais, ter mais controle do que assistir e ouvir e, mais importante ainda, de que forma fazê-los.

O mercado esportivo, sobretudo dos grandes eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos estão caminhando para a mesma direção.

Cobertura em redes sociais

Além das mudanças que a tecnologia trouxe para dentro do campo, as redes sociais e os vídeos online também afetaram profundamente a forma com que as pessoas assistem aos jogos e interagem com as outras.

A rede social Twitter, por exemplo, fechou uma parceria de cobertura com a Fifa e criou uma sessão especial para a Copa do Mundo 2018 durante todo o evento. Nessa sessão é possível acompanhar notícias, fotos e, em especial, vídeos em tempo real de melhores momentos da partida. Além disso, para que as informações cheguem de maneira ainda mais rápida, a Fifa enviou 32 repórteres para acompanhar cada seleção participante da Copa e transmitir as notícias para a rede social de maneira ágil.

Com a veiculação de vídeos online em redes como o Twitter, é possível criar uma experiência emocionante também ao torcedor que não está na Rússia acompanhando o evento pessoalmente. Vídeos de entrevistas, bastidores e melhores momentos aproximam o torcedor do evento não só na hora do jogo, mas em todo momento que o antecede ou sucede. Isso cria mais engajamento, mais interação entre as pessoas e, claro, uma excelente experiência para o fã do esporte.

Streaming ao vivo e conteúdo sob demanda

Já percebeu que cada vez menos as pessoas estão sentadas em frente a tv para acompanhar os jogos? Uma das tecnologias que mais impactaram profundamente a audiência da Copa do Mundo é a dos vídeos online (streaming ao vivo e conteúdo sob demanda).

Culturalmente, ainda valorizamos reunir a família e os amigos em volta da televisão para acompanhar os jogos do Brasil, mas hoje, existem diversas opções para quem não quer ou não pode parar tudo para assistir a Copa do Mundo.

A TV Globo, por exemplo, disponibilizou transmissão ao vivo de todos os jogos da Copa do Mundo da Rússia diretamente do site globoesporte.com. Ou seja, já é possível assistir a qualquer jogo diretamente do computador, de maneira completamente gratuita.

Para além do computador, a tecnologia de vídeos multiplataforma tornou possível assistir a jogos diretamente do seu smartphone ou tablet conectado à internet.

São diversos aplicativos que realizam não só a transmissão ao vivo como conteúdo sob demanda especial da Copa do Mundo. Plataformas como Globo Play, FOX+, VIVO Play e NET Now apostaram nos vídeos online e transmissões ao vivo como forma de alcançar ainda mais espectadores durante a Copa. Todos esses aplicativos possuem suporte tanto para Android quanto para iOS e tornam possível que você assista aos jogos em qualquer lugar e ainda tenha uma infinidade de conteúdo em vídeo especial sob demanda.

De acordo com dados da Sensor Tower, nos Estados Unidos, os cinco principais aplicativos de streaming de vídeo (DirecTV Now, fuboTV, Hulu, Sling TV e YouTube TV) tiveram 1,25 milhão de downloads entre os dias 14 e 20 de junho, a primeira semana da Copa do Mundo. Isso representa um aumento de 77% na quantidade de downloads em poucos dias. Ou seja, os usuários estão preferindo assistir aos conteúdos em aplicativos do que em frente da televisão, como tradicionalmente é feito.

Voltando agora para nosso questionamento inicial, percebeu como a tecnologia mudou a experiência da Copa do Mundo – e muito – somente nos últimos 4 anos? Fica até difícil imaginar como será no Catar, em 2022. Mas de uma coisa temos certeza, cada vez mais estamos caminhando para um modelo no qual o usuário tem muito mais autonomia em quando, onde e como assistir aos seus jogos favoritos.

Por: Débora Gomes

Produtora de conteúdo no Blog da Samba. Estuda Letras na UFMG e trabalha com marketing digital com foco em atração por meio de estratégias de conteúdo e SEO.

Contribua com este post nos comentários